fui apoderada por uma tristeza imensa, imensa... e só me apetece escrever. daí ter pegado neste blog moribundo, após tanto e tanto tempo, e ter decidido que será mesmo aqui que despejarei a alma, como já é, de resto, hábito.
apercebi-me que toda a tragédia só é trágica porque própria e é sempre, sempre, sempre, coadjuvada por tragédias anteriores, feridas mal saradas, dores disfarçadas num qualquer passo do caminho e que agora se manifestam com toda a força.
quando sofremos, sofremos em pleno.
debatia-me eu sobre isto e concluo que sim, faz sentido e sim, ainda bem que assim é. quando se está feliz o que se faz? não se exacerba e cultiva o sentimento? não se quer viver ao máximo a sensação? é igual com a dor. há necessidade de dor em nós, ponto. não conheço ninguém que nunca tenha sofrido seja com o que for. claro que sofrimento para mim tem um significado próprio e não se assemelhará a nenhum outro de alguém que me seja próximo. porque, lá está, toda a tragédia é relativa.
mas é um sentimento. interessa é sentir. claro que prefiro a alegria, a paz, a felicidade... quem não prefere? mas quando chega a vez da dor, do taciturno, da apatia... isso também tem de ser vivido em pleno, enquanto parte de nós e de quem somos. lado negro? não, apenas mais vulnerável, menos optimista. mas nosso.
sofro convicta de que amanhã, ou depois, ou daqui a um mês, ou daqui a um ano, o sofrimento estará tão relativizado que nem sequer o conseguirei encarar como tal. mas neste momento sofro, e preciso de sofrer.
apenas uma coisa me fez sofrer eternamente e nada nunca se comparará a tal, pelo que pelo menos por aí estou descansada. são fases. a minha fase neste momento é cinzenta... o tempo acompanha-me no humor, para não variar. (: e cá vou eu. dia após dia. a tentar sofrer um bocadinho menos, mas a sofrer a sério, empenhada, para que nunca mais isto me venha assombrar.
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