... e quando o sentido do sentir é inverso ao sentido da vida, esvai-se o ânimo. aquela janelinha mínima que se mantém entreaberta no íntimo fecha-se com um estrondo imenso. NÃO. tudo tem de fluir, toda a corrente corre para um sentido apenas, resta saber se há disposição para passar a vida a combater a corrente ou se a atitude mais inteligente é mesmo deixarmo-nos ir para onde quer que aquele sentido da corrente vá...
mas nem sempre assim é. porque o sentido do sentir é poderoso.
sentir é tudo. sentir tudo, intensamente, incessantemente.
o vício nas emoções é o vício mais destrutivo de todos, mais avassalador, mais perigoso. porque nos destrói por dentro, devagarinho, sem nos apercebermos. um dia olhamos para dentro e já só resta um grande espaço vazio, onde outrora havia guardados mil sorrisos de mil ocasiões diferentes, olhares, toques, abraços, lágrimas...
vazio.
de repente está vazio.
e apercebemo-nos que a vontade de guardar tudo para poder, de quando em vez, enfiar lá o nariz e inalar aquele odor a felicidade, é, no fundo, contraprodutiva. a velocidade do nosso corpo, arrastado na corrente que define o sentido da vida, acaba por aniquilar todo o sentido do sentir que guardamos dentro.
porque são, por maioria de razão, sentidos inversos.
ousei sonhar uma vez que se pautasse a minha existência por seguir sem medos todos os sentidos do meu sentir, seria feliz. falhou crassamente o facto de que, se sou a única a fazê-lo, vou necessariamente chocar de frente com o sentido da vida.
foi um choque valente, doeu.
mas ousei sonhar, ousei sentir, ousei ser.
é sempre triste desencantarmo-nos com o mundo. principalmente quando esse desencanto nos tolda a vista de forma a que não vejamos mais nada além disso: desencanto.
e daí, pensando bem... nem quando era miudinha acreditava nas histórias de encantar. a surpresa não é assim tanta.
Quarta-feira, Junho 09, 2010
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