Segunda-feira, Agosto 29, 2011

despedidas

naquela noite, quando por fim repousei o meu corpo desgastado na cama, perdi o olhar naquela almofada. a mesma almofada que na noite anterior te apoiou a cabeça, a mesma almofada que marca a tua presença quando não estás: guarda o teu cheiro e preenche-me os braços vazios nas noites mais solitárias. perdi nela o olhar. estava ali há meses, marcando uma presença inabalável de uma ideia de ti, de uma ideia de nós. e por isso perdi nela o olhar. e senti um vazio dentro de mim - não ao meu lado, mas no meu âmago. um vazio de reacção, um vazio de lágrimas, um vazio de sentimento. vi-me despida de mim pelo simples e patético acto de perder o olhar numa almofada. e com um mero, seco e certeiro golpe de braço atirei a almofada para longe do meu olhar, para fora da minha cama, para longe de mim. rodei o corpo na direcção oposta, fechei os olhos e adormeci.